|
Bruna Chagas Petrungaro (CRN3: 21306) Nutricionista e Personal Diet Graduada em Nutrição (Centro Universitário São Camilo)
Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email
A função dos óleos e gorduras na nutrição humana tem sido intensamente pesquisada e discutida nas últimas décadas. Como resultado, a literatura enfatiza a importância da ingestão de ácidos graxos ω-3, a redução de ácidos graxos saturados e mais recentemente, o controle da ingestão de ácidos graxos trans¹.
Os ácidos graxos trans estão presentes naturalmente em gorduras de animais ruminantes, e em produtos alimentícios industrializados que sofrem processo de hidrogenação que é a transformação de óleos vegetais líquidos em gordura semi-sólida ou sólida². São utilizados para melhorar a consistência e aspecto dos alimentos e também para aumentar o prazo de validade.
Em produtos alimentícios, são encontrados em gorduras vegetais hidrogenadas, margarinas sólidas ou cremosas, biscoitos e bolachas, sorvetes cremosos, pães, batatas fritas (fast food), pastéis, bolos, tortas, massas ou alimentos que contenham gordura vegetal hidrogenada entre seus ingredientes³.
O consumo de calorias provenientes de ácidos graxos trans tem sido associado ao aumento do “colesterol ruim” (LDL) e a redução do “colesterol bom” (HDL)³, aumento da Obesidade abdominal e do processo inflamatório no organismo que é a formação de placas de gordura, causadoras do entupimento das artérias do coração e do cérebro.
Em agosto de 2006 entrou em vigor no Brasil a norma, determinada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), que obriga os fabricantes a especificarem na embalagem (rótulo) a quantidade de Gordura Trans contida nos alimentos4.
A leitura dos rótulos dos alimentos permite verificar quais alimentos são ou não ricos em gorduras trans. A partir disso, é possível fazer escolhas mais saudáveis, dando preferência àqueles que tenham menor teor dessas gorduras, ou que não as contenham.
INFORMAÇÃO NUTRICIONAL Porção_____g(medida caseira)
| | | Quantidade por porção | % VD (*) | | Valor Calórico | Kcal | | | Carboidratos | g | | | Proteínas | g | | Gorduras totais Gorduras saturadas Gordura trans | ggg | * | | Fibra Alimentar | g | | | Sódio | mg | | (*) A quantidade de gordura trans é declarada somente em gramas porque não há valor diário estabelecido.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que a ingestão de gordura trans não ultrapasse 1% do valor calórico da Dieta. Isso significa que se um adulto consome 2 mil calorias diárias, sua ingestão de trans não deve ultrapassar 2 gramas por dia5.
Além da leitura dos rótulos, outra alternativa é a escolha de alimentos mais naturais e preparações caseiras. Desde que não sejam elaboradas com ingredientes que contenham a gordura trans (como algumas margarinas) ou gordura hidrogenada.
Portanto o consumo de gordura trans traz vários riscos potenciais à saúde. O grande segredo é ingerir os alimentos ricos dessa gordura com cautela, caso contrário, o melhor é passar bem longe desse vilão.
REFÈRENCIAS
1. MARTIN, Clayton Antunes, MATSHUSHITA, Makoto e SOUZA, Nilson Evelázio de. Ácidos graxos trans: implicações nutricionais e fontes na dieta. Rev. Nutr., jul./set. 2004, vol.17, no.3, p.351-359. ISSN 1415-5273.
2. CHIARA, Vera Lucia, SICHIERI, Rosely, CARVALHO, Tatiana dos Santos Ferreira de. Teores de ácidos graxos trans de alguns alimentos consumidos no Rio de Janeiro. Rev. Nutr., Campinas, 16(2): 227-233, abr./jun., 2003.
3. BERTOLINO, Carla Novaes, CASTRO, Teresa Gontijo, SARTORELLI, Daniela S., FERREIRA, Sandra R.G., CARDOSO, Marly Augusto. Influência do consumo alimentar de ácidos graxos trans no perfil de lipídios séricos em nipo-brasileiros de Bauru, São Paulo, Brasil. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 22(2):357-364, fev, 2006.
4. ANVISA. VisaLegis: Legislação em Vigilância Sanitária . Disponível em: <www.e-legis.bvs/leisref > Acesso em Janeiro. 2008.
5. Food and Drug Administration. FDA proposes new rules for trans fatty acids in nutrition labeling, nutrient content clains, and health clains. [cited 1999 Out 29]. Available from: www.access.gpo.gov/su_docs. |