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Nidia Leonardi (CRP 06/77973) Psicanalista Winnicottiana e Consultora em Saúde da Mulher Psicologa (UNIPAULISTANA) e Historiadora (UNIFAI)
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A meia-idade compreende o período entre 40 a 60 anos, aproximadamente. No entanto, a idade cronológica constitui um critério relativo e insuficiente para a compreensão desta fase da vida considerada crítica, ocasionada pelo desconhecimento que ocorre devido a transformações físicas, psíquicas e sociais que aí se entrecruzam. As mulheres enfrentam mudanças significativas nesses anos intermediários da vida, onde tem lugar o climatério e a Menopausa.
Fisiologicamente, menopausa se refere à cessação definitiva da ovulação. No entanto, a OMS recomenda que o termo seja utilizado para designar o processo como um todo, e não apenas o cessar do fluxo menstrual. Fenômeno natural na vida da mulher, a menopausa tem sido freqüentemente tratada como doença, reduzindo sua complexidade à queda dos níveis hormonais. Ondas de calor, sudorese, secura vaginal, insônia, irritabilidade, dor de cabeça, Ansiedade e sintomas depressivos, entre outras queixas, podem estar presentes. Entretanto, as mulheres vivenciam estas mudanças de maneira diversificada, o que é reafirmado por estudos sociais e culturais.
O corpo feminino se transforma: rugas, perda da elasticidade da pele e da flexibilidade corporal, o ganho de peso pela falta do estrógeno, sinalizam o inevitável processo de envelhecimento, impactando a auto-imagem da mulher, até então tão valorizado e badalado. Vivendo em sociedades que cultuam a juventude, a beleza e a saúde e que desvalorizam o idoso, é sem dúvida doloroso para a mulher enfrentar o seu envelhecer. Ao se ver diante do "espelho negativo" - estranheza ante a própria imagem que a mulher de meia-idade vê diante do espelho, prenunciando a velhice sob o ponto de vista estético.
Relações conjugais e familiares são igualmente afetadas. Relacionamentos afetivos desgastados podem implicar em separação ou sofrimento conjugal. Na maioria das vezes é convocada a assumir funções que a sobrecarregam. A aposentadoria pode afetar a mulher em sua identidade e relações. Pais idosos demandam cuidados que envolvem esforços econômicos e psíquicos. O adoecimento e morte destes potencializam o contato da mulher com a própria fragilidade e finitude. Filhos na adolescência e mães na menopausa geram conflitos provocando uma revisão dos papéis sociais exercidos nos seus relacionamentos.
As transformações instauram na mulher de meia-idade um processo de reavaliação psíquica envolvendo tarefas como: aceitação e compreensão do corpo que envelhece; aceitação e compreensão da limitação do tempo e da morte; promovendo um desenvolvimento espiritual re-significando seus valores de vida; preparação para a velhice por meio de estratégias de prevenção e promoção de saúde, incluindo vínculos sociais.
O trabalho clínico nos mostra que a mulher deseja e precisa falar sobre conflitos que se manifestam, ressurgem ou se intensificam na meia-idade e na menopausa. Além das queixas físicas relativas à menopausa, trajetórias de vida marcadas por violências sexuais e físicas, conflitos familiares, situações de abandono e de negligência, entre outras questões, são expressas muitas vezes pela primeira vez nesse trabalho. Tais vivências podem se manifestar em sintomas/transtornos, como depressão e ansiedade. A intervenção psicológica individual ou em grupo com mulheres na meia-idade tem demonstrado que compartilhar histórias de vida com outras que atravessam a mesma etapa de vida possibilita a busca de sentido para tantas transformações e desafios.
A escuta psicológica para a mulher nesse momento é vital para sua saúde. Esta deve integrar uma proposta de atenção integral à saúde da mulher de meia-idade, além de outros componentes de uma equipe multiprofissional. Bibliografia Bastos H.Maria; Sorria Você está na Menopausa, um manual de terapia natural para a mulher,Editora Ground;2001 Gutiérrez Edda; Mulher na Menopausa declínio ou renovação? Editora Rosa dos Tempos, 1992 grupo mulherando. Brennan. A e Brewi. J: Meia Idade e Vida - Edições Paulinas Bianchi. H: Eu e o Tempo psicanálise do tempo do envelhecimento Casa do Psicólogo,1993 Fulgêncio L. Winnicott e Freud: Texto Internet ;2003 |