|
A chegada de um bebê muitas vezes é inesperada e sem o planejamento materno. Mas os bebês aparecem na vida de suas mães e elas têm tempo suficiente para se preparem e recebê-los, sendo sua anfitriã por muito tempo. A Saúde do corpo do bebê se registra no funcionamento físico que está adequado às fases de seu desenvolvimento, a não ser que uma doença venha atrapalhar seu Crescimento. Quem avalia e cuida da saúde corporal é o pediatra. Este é sem dúvida um grande parceiro da mãe e de seu bebê. Mas o objetivo desse artigo está sobre a saúde mental do bebê, apontando condições essenciais para um adulto equilibrado e socialmente integrado. Winnicott, pediatra e psicanalista inglês, elaborou uma teoria focada na relação dual entre a mãe e seu bebê. Nessa relação toda a família está envolvida, cada um colabora e se envolve. Porém, o pediatra psicanalista observa que “as mães, a não ser que estejam psiquiatricamente doentes, se preparam para essa tarefa bastante especializada durante o último mês de gravidez”¹. Tempo em que a mãe começa a se voltar exclusivamente para sua “barriga”. Ou seja, mãe e bebê se tornarão, por alguns meses, dois em um, não sabem onde começa um e termina o outro. É nessa relação dual de cuidado de uma mãe “suficientemente boa” e devotada que o bebê vai se tornar um ser saudável psiquicamente. O olhar da mãe e seus cuidados de segurar, ou seja, dar-lhe o colo quando necessário sustentá-lo em seus braços para amamentar quando tiver fome, trocar quando estiver molhado, evitando o desconforto do ambiente, atentar-se à temperatura da água para o banho do seu bebê e manipulá-lo no banho, expressa um cuidado especial ao bebê, porque satisfaz sua necessidade de expressão corporal e dá a possibilidade dele sentir, com o toque, experiências com sua pele e músculos trazendo satisfação e conforto. É através desses cuidados e de sua percepção em desenvolvimento que o bebê poderá sentir que o mundo é confortável e acolhedor. São estes cuidados que parecem tão banais que asseguram ao pequeno bebê o poder de constituir-se e desenvolver-se no seu tempo e em suas fases, tornando-se mais tarde, através de seu potencial, um ser no mundo. Acolher a chegada de seu bebê e recebê-lo com carinho é papel da mãe. Ser previsível em seu comportamento e confiável em seus atos é dar continuidade do ambiente humano ao seu bebê. O pai, muitas vezes ignorado e não valorizado, terá um papel importante! Ou seja, nesse momento poderá ser acolhedor da mãe para que esta, ao doar-se nesse momento tão importante da sua vida, possa se sentir tranqüila e feliz. Havendo esse encontro Pai, Mãe e Bebê - a família saudável e feliz – poderá desfrutar da vida, com qualidade e saúde. Nidia Leonardi (CRP 06/77973) Psicanalista Winnicottiana e Consultora em Saúde da Mulher Graduada em Psicologia (UNIPAULISTANA) e História (UNIFAI)
Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email
Bibliografia: Os bebês e suas mães: D.W. Winiccott, Martins Fontes. O Ambiente e os Processos de Maturação: D.W.Winnicott, Artmed |