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As artes marciais contemporâneas são derivadas de alguma técnica primitiva de guerra. Podemos citar o caratê, o kendô e os estilos do kung fu. Destas artes marciais orientais surgiram as lutas olímpicas no Ocidente, nas quais o praticante compete com outros em um ambiente controlado. Exemplos bem conhecidos: o boxe, a esgrima e a greco-romana. Tanto as artes marciais como os esportes de luta têm em comum um treinamento físico rotineiro, seguindo à risca um programa técnico herdado ou modificado. Seus rituais, uniformes e costumes rotulam e facilitam a criação de “tribos”, como os clãs familiares onde as primeiras artes marciais se formaram no passado. Logo, arte marcial clássica e luta competitiva são as duas faces da mesma moeda. Uma complementando a outra, mesmo quando o praticante treina várias destas modalidades de combate (vide o caso do MMA – sigla em inglês para Mixed Martial Arts) em vez de se limitar a uma delas. Obviamente todas serão úteis na proteção da integridade física. Neste aspecto chegamos ao conceito do que é “Defesa Pessoal” e das características que a distingue das artes marciais e das lutas. Normalmente uma arte marcial agrega um conjunto de valores filosóficos com uma coleção de técnicas de combate que a destacam em relação a outras tradições guerreiras. Algumas artes marciais se especializaram em armas medievais, outras na luta de chão como se estivessem enfrentando um combatente com armadura, e outras escolas no adestramento das mãos e dos pés. Dependendo do enfoque de cada arte, os seus estilos e lutas derivados também seguiram tendências semelhantes. Por outro lado, a defesa pessoal é um sistema seleto, desenvolvido especialmente para aplicar habilidades combativas - previamente testadas e comprovadamente eficazes - em um cenário realista. Por isso, no treinamento da defesa pessoal em particular, as tradições milenares das artes marciais e as normas, regras e regulamentos típicos das lutas não são enfatizados. Aqui o objetivo é sobreviver... e preferencialmente ileso. As novas artes marciais e lutas como o aikidô e o judô progrediram quando os avanços tecnológicos reduziram o corpo a corpo nas batalhas e os intervalos entre as guerras aumentaram. Porém, independente do período histórico e das condições sociais e étnicas de cada povo, a necessidade da defesa pessoal permaneceu imutável. Hoje, vivendo nas grandes cidades, continuamos responsáveis pela nossa própria proteção e a de nossos entes queridos. A segurança e a manutenção da Saúde individual são um direito e um dever, literalmente, em nossas mãos. E assim as ciências de defesa pessoal fecham o círculo inaugurado pelas artes marciais, cuja função original também era capacitar o ser humano a se defender e sobreviver a uma súbita agressão física. As artes marciais e as lutas serviram e continuarão servindo muito bem para cultivarmos habilidades que nos garantem qualidade de vida, lazer e diversão com seus exercícios e golpes vigorosos. As crianças e os adolescentes aprendem valiosas lições de espírito de equipe e de perseverança nestas práticas. E os homens e as mulheres de todas as idades podem se beneficiar muito com a queima de calorias que tais atividades propiciam. Contudo, a defesa pessoal exige treinamento e orientação distintos e especializados. A sua prática inclui a aptidão física, e também o cultivo do estado de alerta, de atenção e antecipação de perigos. Possui um programa de manobras e golpes, mas incluindo ataques e táticas proibidos nos esportes e nas academias convencionais. Em resumo, engloba o fortalecimento de todas as armas naturais do corpo e ainda ensina a manusear e se defender de lâminas e bastões e a improvisar armamentos com quaisquer objetos. A defesa pessoal trata de conquistar a capacidade, no menor tempo possível, de se proteger fisicamente diante de um ou vários agressores, desarmado e em condições de desvantagem e caos. Requer um treino seguro, com uma metodologia atualizada e atenta aos diversos tipos de crimes e ameaças à vida humana. Esta mentalidade estratégica da autodefesa afia os instintos e a intuição e melhora a saúde do seu praticante neste processo. Nos próximos artigos tratarei destes benefícios extras ao se aliar um método de defesa pessoal com outras disciplinas corporais como o Yoga e o Taichi. Prof. Luciano Imoto Diretor da Academia Imoto e instrutor profissional de autodefesa e condicionamento psicofísico. Ministra também aulas de terapias do movimento e palestras de prevenção e neutralização da violência. www.academiaimoto.com /
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