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Todo portador de Doença Inflamatória Intestinal (DII), que na grande maioria das vezes é diagnosticada como de Doença de Crohn ou Retocolite Ulcerativa, infelizmente, precisa se habituar aos “altos e baixos” das doenças. Períodos tranqüilos em que os sintomas diminuem e até desaparecem, em alguns casos, são interrompidos pelas famigeradas crises, que são capazes de diminuir sensivelmente a qualidade de vida dessas pessoas. Apesar dos avanços da ciência, que a cada dia testa novas drogas e tratamentos, ainda não temos uma cura. Muito pouco se sabe sobre as reais causas das DIIs. Sabe-se que, entre outros, fatores genéticos, ambientais e emocionais são capazes de determinar a manifestação dos sintomas. Contudo são necessários mais estudos para definir efetivamente o que pode levar o aparecimento das DIIs. Hoje, o tratamento tem sido realizado clinicamente através da terapia com antiinflamatórios, com o uso de corticóides, de imunossupressores e de imunomoduladores mais modernos, e nos casos mais graves, não são raras as internações e até intervenções cirúrgicas. Os tratamentos geralmente são eficazes para o controle das fases agudas. Entretanto, passados os momentos mais difíceis, o grande desafio é conseguir proporcionar ao portador de DII uma vida com qualidade satisfatória. Muitas estratégias são adotadas para melhoria da qualidade de vida das pessoas e, sem dúvida, o Exercício Físico está entre elas. Diversos estudos têm demonstrado, efetivamente, a influência positiva da Atividade Física na prevenção e no controle de diversas doenças. Entretanto a influência do exercício sobre as DIIs ainda não está clara. Porém alguns dados já estão bem estabelecidos. Estudos demonstram que o exercício físico não é capaz de prevenir e nem é responsável pelo aparecimento das DIIs. Pacientes com graus de intensidade de moderado a grave não devem praticar exercício até o controle dos sintomas. Além disso, sessões intensas e esporádicas de exercício são capazes de ocasionar a piora dos sintomas. Contudo, nos casos de manifestações leves e nos períodos de remissão, praticar exercício pode trazer uma série de benefícios. A maioria dos estudos demonstra efeitos benéficos indiretos tais como: - - Controle da massa corporal
- - Diminuição da perda de massa muscular e do processo de perda de massa óssea ocasionado pelo uso continuado de corticóides
- - Melhora da qualidade do sono, que tem reconhecido efeito imunomodulador
- - Controle da Ansiedade, geralmente associada ao aparecimento dos sintomas
- - Combate ao Stress, também associado ao aparecimento dos sintomas
- - Melhoria da capacidade física geral, que gera mais conforto para a execução das atividades cotidianas.
- Além disso, estudos realizados com portadores de outros tipos de doenças auto-imunes tais como Artrite reumatóide e Lúpus têm demonstrado que sessões de exercício leve a moderado, dentro de um plano de treinamento, não são capazes de agravar os sintomas e ocasionar uma crise. Ao contrário, têm efeito agudo antiinflamatório e ainda tornam o corpo mais resistente à inflamação como efeito crônico. Para aproveitar todos os benefícios do exercício alguns passos devem ser seguidos. O primeiro deles é conseguir um “alvará” com seu médico. Sem liberação clínica nada de atividade física. Outro fator fundamental está relacionado à prescrição. Definitivamente um portador de DII não é uma pessoa normal. Assim deve procurar orientação de um profissional qualificado que consiga atender à sua demanda, que é diferenciada. O professor deve prescrever e ser capaz de auxiliar o aluno a estabelecer metas claras e reais. Não estabeleça objetivos irreais e nunca compare seu desempenho com o desempenho dos outros, mesmo que também sejam portadores de DII. Felizmente a ciência evolui com uma velocidade espantosa. A cada dia novos estudos são publicados trazendo diversos achados que podem auxiliar no combate e controle das DIIs. É importante que tenhamos paciência, pois muita novidade tem aparecido. Como a cura ainda não existe, cabe a nós, através de nossas escolhas, trabalharmos de forma a minimizar os sintomas e viver com mais qualidade. Disciplina ao tomar os medicamentos ao nos alimentar e na execução dos exercícios físicos está entre os fatores fundamentais para atingir esse objetivo.
Profº Rodrigo Dantas Moriglia (CREF 062810-G/SP) Bacharel em Esporte (EEFE-USP) e Portador da Doença de Crohn
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